Visão geral
O projeto investiga agentes de Inteligência Artificial como dispositivos de mediação pedagógica na formação inicial de professores de Matemática. A partir de literatura científica e documentos institucionais, propõe-se a construção de um framework analítico-pedagógico capaz de subsidiar a compreensão crítica desses sistemas por licenciandos, formadores e coordenações de curso.
Natureza: pesquisa aplicada, qualitativa, exploratória e propositiva, conduzida sobre literatura científica indexada e documentos institucionais de domínio público. Não envolve coleta de dados com sujeitos humanos.
A investigação alinha-se ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (Educação de Qualidade), contribuindo particularmente para a qualificação docente. Vincula-se à agenda de pesquisa do Grupo Interdisciplinar de Desenvolvimento de Inteligência Artificial e Competências Digitais (GIDIAC) e dialoga com a reformulação curricular em curso na Licenciatura em Matemática do Campus Avançado de Patu.
Área de concentração
Ciências Exatas e Tecnológicas, com aderência à Educação Matemática.
Vigência
1º de setembro de 2026 a 31 de agosto de 2027 (12 meses).
Vinculação
Edital PIBIC nº 001/2026-PROPEG/UERN.
Modalidade
Iniciação científica com 1 plano de trabalho, dedicação de 12h semanais.
O problema investigado
A emergência de agentes de IA — sistemas dotados de autonomia, planejamento e uso de ferramentas para alcançar objetivos — introduz diferença qualitativa no cenário das tecnologias digitais em Educação Matemática. Referenciais consolidados foram desenvolvidos para artefatos determinísticos (softwares de geometria dinâmica, sistemas algébricos); agentes de IA operam com autonomia decisória, adaptação contextual e capacidade de assumir múltiplas funções pedagógicas simultâneas.
A Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores (BNC-Formação), instituída pela Resolução CNE/CP nº 02/2019, exige que futuros docentes utilizem tecnologias digitais de forma crítica e ética. A formulação, contudo, antecede o ciclo da IA generativa (2022 em diante) e não contempla especificidades dos agentes de IA como dispositivos de mediação.
Lacunas que a pesquisa busca preencher
- Lacuna teórica: escassez de estudos que articulem fundamentos da Ciência da Computação (teoria de agentes) com referenciais de mediação pedagógica e didática da Matemática.
- Lacuna formativa: Projetos Pedagógicos dos Cursos de Licenciatura em Matemática não dispõem de referencial conceitual robusto sobre agentes de IA.
- Lacuna institucional: ausência de instrumental analítico para políticas de uso de IA no ensino superior brasileiro.
Conceitos-chave: delimitação necessária
A literatura sobre IA na educação opera frequentemente com confusão terminológica entre quatro categorias distintas. A pesquisa parte de delimitação rigorosa, fundamentada em Russell e Norvig (2021) e Wooldridge (2009).
Ferramenta digital
Artefato passivo, com comportamento determinístico. Ex.: GeoGebra, editores de texto.
Sistema de IA
Sistema computacional baseado em aprendizado de máquina, sem necessariamente exibir agência.
IA generativa
Subclasse de sistemas de IA capazes de gerar conteúdo a partir de prompts.
Agente de IA
Sistema dotado de autonomia, percepção, planejamento e capacidade de ação orientada a objetivos.
O agente de IA é o objeto central do projeto. As demais categorias entram como referência para diferenciação analítica.
Como a pesquisa será conduzida
A investigação organiza-se em quatro etapas metodológicas articuladas, todas conduzidas sobre literatura e documentos, sem trabalho de campo.
Etapa 1 — Revisão de escopo (PRISMA-ScR)
Revisão de escopo conduzida segundo o framework de Arksey e O'Malley (2005), refinado por Levac, Colquhoun e O'Brien (2010), e relatada conforme o protocolo PRISMA-ScR (Tricco et al., 2018). Bases: Scopus, Web of Science e ERIC. Recorte temporal: 2015–2026. Idiomas: português, inglês e espanhol.
Etapa 2 — Análise temática
Análise temática segundo o protocolo de Braun e Clarke (2006), em suas seis fases. Codificação mista: categorias a priori (autonomia, interação, feedback, adaptação, personalização, intencionalidade pedagógica, mediação, agência docente, transparência, ética, confiabilidade e relação com o conhecimento matemático) e categorias emergentes do corpus.
Etapa 3 — Construção iterativa do framework
Construção em três movimentos: (i) identificação de dimensões; (ii) articulação entre dimensões em estrutura coerente; (iii) operacionalização mediante definição, indicadores observáveis, perguntas críticas e implicações formativas. Cinco critérios de validação interna: coerência, completude, parcimônia, ancoragem teórica e utilidade pedagógica.
Etapa 4 — Análise de implicações formativas
Articulação do framework com a competência 5 da BNC-Formação, o AI Competency Framework for Teachers (UNESCO, 2024), a orquestração instrumental (Trouche, 2004; Drijvers, 2015) e as fases das tecnologias digitais em Educação Matemática (Borba, Silva & Gadanidis, 2018). Produção de diretrizes pedagógicas.
Cronograma em síntese
As atividades do plano de trabalho distribuem-se ao longo dos 12 meses de vigência.
Capacitação metodológica
Estudo dos protocolos PRISMA-ScR e da análise temática.
Buscas e triagem
Execução das buscas, triagem e avaliação de elegibilidade.
Extração e análise temática
Matriz de extração; seis fases da análise temática.
Construção do framework
Identificação, articulação e operacionalização de dimensões.
Sistematização e diretrizes
Quadro de indicadores e diretrizes pedagógicas.
Comunicação científica
Artigo, resumo para o Salão de IC e relatório final.
Pontos de controle: reuniões bimensais entre orientador e bolsista para acompanhamento das atividades e validação de produtos parciais.
Papel do bolsista
A bolsa de iniciação científica é, antes de tudo, oportunidade formativa. Detalham-se abaixo os papéis, competências desenvolvidas e responsabilidades operacionais.
Perfil desejado
- Discente regularmente matriculado em graduação, preferencialmente Licenciatura em Matemática, Computação ou áreas afins.
- Interesse em Educação Matemática, tecnologias digitais e/ou Inteligência Artificial.
- Disponibilidade de 12 horas semanais.
- Leitura em português e inglês (espanhol desejável).
- Currículo Lattes cadastrado; sem vínculo empregatício ou outra bolsa concorrente.
Responsabilidades operacionais
Executar a revisão de escopo
Aplicar strings booleanas, exportar registros, conduzir triagem em quatro estágios e produzir fluxograma PRISMA-ScR.
Preencher matriz de extração
Registrar dados bibliográficos, referencial teórico e categorias de cada texto do corpus.
Conduzir a análise temática
Aplicar as seis fases de Braun e Clarke; participar de dupla codificação com o orientador.
Colaborar na construção do framework
Contribuir para identificação, articulação e operacionalização das dimensões.
Produzir comunicação científica
Colaborar na redação do artigo, resumo e relatório; apresentar no Salão de IC.
Habilidades desenvolvidas
| Eixo | Habilidades específicas |
|---|---|
| Técnico-científicas | Revisão de escopo PRISMA-ScR; strings booleanas; gerenciamento de referências. |
| Análise qualitativa | Codificação estruturada; livro de códigos; mapa temático. |
| Conceituais | Distinções entre ferramenta digital, sistema de IA, IA generativa e agente de IA. |
| Produção científica | Redação ABNT; resumo expandido; apresentação oral. |
| Transversais | Leitura crítica multilíngue; gestão de tempo; ética em pesquisa. |
O que o bolsista não fará
O bolsista não:
- coletará dados com sujeitos humanos;
- desenvolverá software ou sistema de IA;
- aplicará questionários, entrevistas ou observações;
- trabalhará isoladamente — interação sistemática com o orientador em pontos de controle bimensais.
Produtos esperados
- Framework analítico-pedagógico de agentes de IA aplicável à Educação Matemática.
- Quadro de dimensões e indicadores observáveis.
- Diretrizes pedagógicas para uso crítico de agentes de IA na formação inicial docente.
- Artigo científico submetido a periódico indexado.
- Resumo expandido para o Salão de Iniciação Científica da UERN.
- Relatório final PIBIC.
Horizonte da agenda de pesquisa
O framework construído neste PIBIC terá validade teórica ancorada em revisão e análise sistemáticas da literatura. Constitui contribuição autônoma e completa dentro do escopo de 12 meses.
Compõe, contudo, agenda de pesquisa mais ampla do GIDIAC, com desdobramentos previstos em projetos subsequentes:
- Validação por especialistas mediante técnica Delphi modificada, em projeto subsequente com submissão a Comitê de Ética em Pesquisa.
- Aplicação em contextos formativos reais, com integração em componente curricular da Licenciatura em Matemática do CAP/UERN.
- Articulação com políticas institucionais de uso de IA no ensino superior.
Informações de contato e vinculação
Orientador: Prof. Dr. Roberto Mariano de Araújo Filho
Departamento: Departamento de Matemática e Estatística — DME/CAP/UERN
Grupo de pesquisa: GIDIAC — Grupo Interdisciplinar de Desenvolvimento de Inteligência Artificial e Competências Digitais
Programa: PIBIC — Edital nº 001/2026-PROPEG/UERN
Discentes interessados em concorrer ao plano de trabalho devem entrar em contato via e-mail institucional para agendamento de conversa preliminar.